DICAS PARA O 1º ANO DE RESIDÊNCIA MÉDICA


O treinamento na Residência Médica é a melhor forma de capacitação profissional em medicina, mas é, também, um período muito estressante da formação do médico.

 

O 1º ano de Residência, em especial, tende a ser uma experiência muito desgastante. Os residentes devem, portanto, ser alertados sobre as dificuldades que irão encontrar ao longo desse período de Residência, e estimulados a buscar ajuda junto aos preceptores, professores e coordenadores dos Programas.

 

Cumpre salientar a importância de que os futuros residentes sejam conscientizados e orientados no sentido de controlar sua voracidade. Habitualmente, o não-controle pode levá-los à tentativa de aproveitar o tempo ao máximo, se sobrecarregando ainda mais com aulas, cursos, plantões e outras atividades; estas ações podem ter um efeito deletério para a saúde física e mental do residente, e comprometer o aproveitamento e o desempenho das atividades na Residência.

 

Tanto a natureza como a magnitude do estresse na Residência Médica têm sido amplamente estudadas na literatura internacional, destacando-se em especial o estresse psicológico. Aach e cols. (1988) descreveram o conjunto de estados ou fases psicológicas que um residente vive ao longo do 1º ano de treinamento:

 

  • Estágio inicial de euforia e excitação, que está associado ao estado de tensão vivido em relação à expectativa de iniciar o treinamento e ao desafio de ser um profissional (duração: cerca de 1 mês).
     
  • Após esse estágio inicial, segue-se um período de insegurança, quando o treinado começa a vivenciar frustrações e perceber suas limitações (duração: mais ou menos 2 meses).
     
  • A seguir, há uma fase de depressão, que se mostra tanto mais intensa quanto mais estiverem atuando os seguintes fatores: sobrecarga de trabalho, privação do sono e falta de apoio emocional institucional e/ou social.
     
  • Em seguida, há um período de tédio. No período entre o quarto e o sexto mês de treinamento, o residente tende a experimentar um estado de quiescência, com estabilidade no exercício das atividades e um estado de tédio e desinteresse, realizando suas tarefas de uma forma algo automática.
     
  • A esse estado de tédio segue-se uma outra fase de depressão. A rotina torna-se insuportável e o trabalho parece sem fim. Essa fase tende a ser mais intensa que a fase depressiva anterior, atingindo seu ápice no oitavo mês.
     
  • Gradativamente, o residente começa a sair do estado de depressão, entrando em um período de elação, com o reconhecimento de conquistas e realizações. O estado de elação pode, eventualmente, conduzir a excesso de confiança.
     
  • Fase de autoconfiança e competência profissional. Ao final do ano, o R1 vive uma fase de segurança, com sensação de competência profissional para tomar decisões quanto ao tratamento dos pacientes; sente-se em condições de ensinar e supervisionar os estudantes.

 

 

Embora essa seqüência de estágios ou fases seja observada na maioria dos residentes no primeiro ano do treinamento, uma ampla gama de sensações – positivas, gratificantes, negativas, frustrantes – acompanha todos os momentos do treinamento. De uma maneira geral, os sentimentos disfóricos atingem seu ápice em torno do oitavo mês do treinamento. A partir desse período, começa a prevalecer uma lenta e gradual sensação de autoconfiança e competência profissional.

 

 

O segundo ano de Residência tende a ser menos tumultuoso do que o primeiro e mais estressante do que o terceiro. O terceiro ano tende a ser o mais estável e gratificante, quando a maioria das dificuldades adaptativas vinculadas ao treinamento estão resolvidas. Ao final do terceiro ano, os residentes expressam satisfação com a decisão de ser médico e se sentem profissionalmente competentes (Girard e cols., 1986; 1991).

 

 

Como contribuição para que o treinamento seja mais bem aproveitado, é apresentada a seguir uma relação de recomendações e medidas de natureza pessoal - os Dez Mandamentos do Residente - que podem servir de guia aos jovens iniciantes.

 

 

 Os Dez Mandamentos do Residente (e do especializando)

I. Aproveite esse período da sua vida para aprender (a Residência Médica é a melhor forma de capacitação profissional em medicina);

II. Exija supervisão diuturna (o treinamento em serviço sob supervisão é previsto em Lei e é a chave do sucesso da Residência Médica);

III. Faça uma lista diária das prioridades no trabalho (suprima tarefas importantes mas não essenciais);

IV. Evite assumir outros compromissos profissionais; dedique-se somente à Residência (em especial no R1);

V. Lembre-se que o R1 é o período mais difícil e estressante (não assuma plantões fora durante o R1!);

VI. Tenha claro que o treinamento é estressante, não sobrecarregue mais ainda a sua agenda (não dá para fazer tudo ao mesmo tempo; adie alguns projetos e planos);

VII. Conheça os seus direitos e deveres; Participe das atividades da COREME e da Associação de Residentes (diretamente ou por meio dos representantes eleitos);

VIII. Converse com residentes mais experientes e preceptores sobre as dificuldades que você está tendo;

IX. Procure se alimentar de forma saudável e faça atividades físicas;

X. Peça ajuda se estiver se sentindo estressado, deprimido, angustiado.

 

Dr. Luiz Antonio Nogueira Martins

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