CASCA DE SIRI E CÉLULA-TRONCO RECRIAM OSSO
A técnica poderá substituir os defeitos críticos
Se depender de uma dupla de pesquisadoras da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a casca que recobre os camarões e siris vai deixar de ser um simples exoesqueleto (ou esqueleto externo) para integrar o esqueleto interno dos seres humanos. Elas estão testando em laboratório uma forma inovadora de consertar fraturas muito graves, que mescla a estrutura da casca dos crustáceos com as versáteis células-tronco.
A mistura inusitada foi descrita por Rhyna Carla da Cunha Costa e Fabiana Paim Rosa durante a XXII Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe). O evento aconteceu em Águas de Lindóia, interior de São Paulo, no final de novembro, e reuniu mais de 2.500 cientistas do Brasil e do mundo.
"Nós ainda estamos no começo dos trabalhos in vitro", explicou Costa. Ela diz que a técnica, se for bem-sucedida, poderá ajudar a substituir lesões ósseas muito sérias, os chamados defeitos críticos. Nelas, um pedaço do osso foi arrancado, ou então trata-se de uma malformação na qual o tecido ósseo nunca esteve presente.
"Numa lesão desse tipo, o organismo simplesmente não tem tempo hábil para reconstruir o osso", explica a pesquisadora da UFBA. Forma-se uma cicatriz com tecido fibroso, impedindo que a regeneração correta aconteça. A dupla imagina que a combinação do exoesqueleto de crustáceos com as células-tronco, que conseguem assumir a função de muitos tecidos do organismo, seja capaz de dar conta dessa tarefa.
Fonte: www.g1.globo.com
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