Governo oferece reajuste de 20% após anúncio de greve dos médicos residentes
Temendo a paralisação, a pasta e o Ministério da Educação ofereceram um aumento de 20% na bolsa mensal dos médicos residentes, segundo informação do Ministério da Saúde. “A proposta só foi possível por meio do remanejamento de recursos de outros projetos dos órgãos financiadores”, declara a pasta.
Anunciado na tarde de ontem (16), o Ministério trará uma portaria que cria um grupo de trabalho intersetorial que analisará as reivindicações da ANMR (Associação Nacional de Médicos Residentes) objetivando negociar com os estudantes, e será formado pelos próprios órgãos financiadores do programa Nacional de Bolsas de Residência Médica.
A ANMR reivindica reajuste de 38% na bolsa-auxílio, congelada em R$ 1.916,45 desde 2006. Afirmam que mesmo após o anúncio do governo, a greve será mantida. Nívio Moreira Junior, presidente da ANMR, disse que a reação do Ministério só confirma a força da categoria. “Enviamos a proposta do governo para as assembléias nacionais e a expectativa é de que amanhã o reajuste, que ficou abaixo do reivindicado, será analisado”, disse.
As manifestações ocorrerão nos principais hospitais com programas de residência, com mais de 22 mil médicos em todo Brasil, previstos a partir das 10h de hoje. A orientação da comissão de greve foi manter 30% dos residentes de cada setor emergencial. “A rigor, os hospitais não podem depender da categoria para fazer atendimentos. Mas sabemos que, na prática, viramos mão de obra barata. Portanto muitas cirurgias, procedimentos e consultas correm o risco de cancelamento”, declara o presidente.
Durante a manifestação, residentes realizarão exames de medição de glicose e pressão arterial, com o objetivo de mostrar o ato médico e a importância da qualidade na assistência.
Também prometido pelo governo, será mantida a ampliação de vagas do Programa Nacional de Bolsas de Residência Médica, nas áreas prioritárias para o SUS (Sistema Único de Saúde), já anunciadas.
Outras reivindicações dos médicos residentes também estão sendo analisadas pelo governo federal, como a ampliação do período de licença maternidade de quatro para seis meses e o estabelecimento da licença paternidade de cinco dias para médicos residentes. As duas questões já estão no projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional pelos ministérios da Saúde e Educação. É previsto também que possíveis reajustes de bolsas poderão ser decididos diretamente pelo Ministério da Educação, para evitar a tramitação de promulgação de lei devido a novas negociações de reajuste.
Para obter mais informações da GREVE, acesse: www.anmr.org.
Fonte: UOL
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