Radioterapia personalizada é criada em Pernambuco
A pesquisa, desenvolvida por cientistas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), traz uma nova forma de interpretar a presença de proteínas no corpo dos pacientes com câncer, o que pode ser a chave para garantir tratamentos desenvolvidos sob medida para cada um deles.
O objetivo do estudo é achar um método capaz de prever como cada organismo irá se comportar ao ser exposto à terapia com radiação. Esse tipo de tratamento é importante para destruir células tumorais, porém também acabe atingindo partes saudáveis do organismo.
Através do exame de sangue, os pesquisadores da UFPE analisaram a expressão (intensidade da produção) de algumas proteínas do corpo humano, com a p53 e a p21, que são responsáveis por regular a resposta das células às agressões da radioterapia. A partir disso, pode-se deduzir a reação do organismo e regular o tratamento. Além de aumentar a efetividade da radioterapia, o diagnóstico reduziria os efeitos colaterais da medicação, dosando a radiação, poupando os doentes mais vulneráveis.
“É impossível dizer com precisão absoluta como cada paciente irá reagir, mas nós temos sido muito bem-sucedidos ao criar padrões de reação”, disse Ademir Amaral, coordenador da pesquisa e presidente da SBBN (Sociedade Brasileira de Biociências Nucleares).
A idéia da pesquisa é otimizar o tratamento com base no caminho molecular que leva à formação do tumor.
Com a perspectiva de o método ser aplicável a todos os tipos de tumor, mas por enquanto, o núcleo trabalha apenas com casos de câncer no colo do útero, de cabeça e pescoço e no sangue. Nesta etapa ainda não são feitas alterações no tratamento convencional de tumor. Com base na análise das proteínas, os cientistas se concentram em documentar as reações previstas para cada organismo.
“Precisamos conseguir um número expressivo de acertos nas previsões antes de passar para a próxima fase, que é sugerir mudanças no tratamento” disse Amaral. De acordo com ele, a taxa de sucesso nas antecipações tem sido expressiva.
Segundo seu coordenador, uma das principais vantagens do método é que não deverá ficar caro incorporá-lo aos exames, hoje fundamentais no tratamento.
De acordo com Amaral, o paciente faria apenas um exame a mais. “A preocupação é ser acessível para toda a população”, completa.
Ainda não se sabe quando o tratamento, que ainda está em fase de testes, poderá chegar ao mercado.
Fonte: Folha de São Paulo
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