Guia ajudará médicos a lidar com notícias ruins e como transmiti-las


Com o intuito de melhorar a transmissão de informações sobre diagnósticos, recidivas (reaparecimento da doença), efeitos colaterais ou esgotamento de opções terapêuticas, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) e o Hospital Albert Einstein desenvolvem livro que ensinará os médicos a passar as notícias difíceis aos pacientes e parentes.

 


O guia deve ser distribuído na rede do Sistema Único de Saúde a partir de novembro.

 


Para Priscila Magalhães, coordenadora da política de humanização no Inca, apesar das más notícias fazerem parte da rotina hospitalar, elas causam sofrimentos a médicos, enfermeiros e outros profissionais. A questão é que, sem saber como lidar com os próprios sentimentos, eles acabam passando as informações de forma inadequada.

 


“O tema é pouco abordado em faculdades. Na medicina, em geral aparece apenas nas cadeiras de psicologia médica”, declara a coordenadora. Segundo ela, quando começam a trabalhar, “muitos não sabem lidar com essas limitações e as encaram como fracasso pessoal”.

 


De acordo com Magalhães, o despreparo dos médicos em dar notícias ruins, acaba levando a conseqüências que atingem tanto os pacientes quanto os profissionais, que não raro desenvolvem problemas psicológicos.

 



>> JEITO DE FALAR


Roteiro ajuda profissionais de saúde no momento de transmitir informações sobre diagnóstico, recidiva, sequelas e esgotamento das possibilidades terapêuticas.

 


(1) Planejar a comunicação – Rever histórico do paciente, buscar e envolver parentes e amigos.
(2) Avaliar a percepção dele sobre a doença – Verificar o que ele sabe sobre a doença, checar se passa por processo de negação, corrigir informações e moldar a notícia para a capacidade de absorção do paciente.
(3) Avaliar o desejo do paciente – Procurar saber se o paciente deseja receber informações detalhadamente sobre sua situação e colocar-se à disposição para responder perguntas.
(4) Anunciar com delicadeza que más notícias estão por vir – Dar tempo ao paciente, transmitir a mensagem com linguagem clara e acessível, evitar detalhes desnecessários, checar a compreensão da informação.
(5) Abrir espaço para a emoção – Expressar solidariedade, favorecer a expressão dos sentimentos e emoções do paciente e de seus parentes e acolher reações de raiva, tristeza ou inconformismo.
(6) Traçar estratégias – Resumir o que foi abordado até então, perguntar se o paciente está pronto para discutir os próximos passos e detalhar as estratégias quanto ao tratamento ou cuidados paliativos.



>>ALTERNATIVA

 


De acordo com estudo em 2009, feito pela divisão de saúde do trabalhador do Inca, dos 159 trabalhadores do hospital em licença, 32% tinha histórico de transtornos mentais ou de comportamento, como depressão.
Como alternativa, o instituto criou uma oficina de qualificação, treinando alunos de hospitais federais e universitários em formato cênico, com discussões de casos vivenciados. Logo após, a equipe é apresentada ao protocolo Spikes, guia metodológico para a comunicação das más notícias.

 


O guia Comunicação de Notícias Difíceis encontra-se disponível no site do Inca, e pode ser acessado pelo link: http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/comunicando_noticias_dificeis.pdf .

 

 


Fonte: Folha de São Paulo

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