O Médico do Futuro Tratará da Alma - Jávier Godinho


Três médicos do mais elevado conceito, premiados por trabalhos científicos, respondiam na televisão americana sobre a medicina do futuro. Previam para as próximas décadas a cura de quase todas as doenças. Falavam de maravilhas próximas de acontecerem, envolvendo neurocomputadores, exames de sangue sem tirar sangue, células-tronco embrionárias, implantes com órgãos de plástico, check-up por meio de ondas cerebrais, etc. O assunto nos chamou tanto a atenção que, terminado o programa, fomos saber a opinião do Google, hoje instrutor obrigatório de crianças, jovens e adultos, cada vez mais desinteressados em livros.


Com uma fartura de conceitos, doutores e a internet, entretanto, apresentavam um lugar comum sobre medicina do futuro: todos falavam de doenças e curas como coisas exclusivas do corpo físico, jamais as relacionando com a alma. Ignoravam completamente que  o corpo físico é o invólucro temporário da alma, sendo a alma a vida, o espírito imortal encarnado.


Isso nos fez lembrar um desafio do padre Antônio Vieira, o escritor português que, no seu tempo - século 17, era considerado a personalidade intelectual mais atuante no Brasil e em Portugal:


"Quereis sabe o que é a vida? Olhai um corpo sem alma".


Sem alma, o corpo é cadáver e precisa ser rapidamente sepultado ou cremado, porque vai se decompor e cheirar mal. Corpo é, portanto, consequência e não causa. A medicina acadêmica obterá melhores resultados quando aceitar a realidade e passar a realmente cuidar da alma do paciente. Por enquanto, ela já aceita tratar a mente, com a denominada medicina psicossomática, o que é um bom começo, porque a mente é parte da alma e não no corpo.


Ódio, mágoa, desejo de vingança, inveja, ciúme, orgulho, malquerença, ambições desmedidas, bem como todas as demais misérias morais, filhas do egoísmo, são doenças da alma que, para se livrar delas, passa-as para o corpo físico em forma de doenças.


Chamam Jesus de Divino Médico e Médico dos Médicos. Para bom entendedor, há dois mil anos, ele já ensinava o princípio da grande verdade segundo a qual o que realmente faz mal ao homem são os maus sentimentos procedentes do seu coração:


"O que sai da boca vem do coração e é isso que contamina o homem. Do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem" (Mateus, 15; 18 a 20).


Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, conhecedores que são da lei da evolução, no livro Palavras de Emmanuel, publicado em 1954 pela Federação Espírita Brasileira, fazem a seguinte previsão:


"A medicina do futuro terá de ser eminentemente espiritual, posição difícil de ser atualmente alcançada, em razão da febre maldita do ouro, mas os apóstolos dessas realidades grandiosas não tardarão a surgir nos horizontes acadêmicos do mundo, testemunhando o novo ciclo evolutivo da humanidade".


A grande maioria das pessoas jamais pensou nisso, muitas interpretando como absurdos os esclarecimentos dos dois que foram os maiores instrutores espirituais do século passado, cujo resumo apresentamos a seguir.


Quando o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos  e essa grande oficina achar-se-á elevada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas, porque muitas enfermidades, pomposamente batizadas pela ciência médica, não  passam da mente em desequilíbrio.


Uma agonia prolongada pode ter finalidade precisa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do espírito em marcha para a sublime aquisição de seus patrimônios da vida imortal.


A doença incurável traz consigo profundos benefícios. Que seria das criaturas terrestres sem as moléstias dolorosas que lhes apodrecem a vaidade? Até onde poderiam ir o orgulho e o personalismo do espírito humano, sem a constante ameaça de uma carne frágil e atormentada?


A doença sempre constitui fantasma temível no corpo humano, qual se a carne fosse focada de maldição, entretanto, o número de enfermidades, essencialmente orgânicas, sem interferências psíquicas, é positivamente diminuto.


Há criaturas doentes que lastimam a retenção no leito e choram aflitas, não porque desejem renovar concepções acerca dos sagrados fundamentos da vida, mas por se sentirem impossibilitadas de prolongar os próprios desatinos.


A moléstia incurável é um escoadouro bendito de nossas imperfeições.


Os aleijões de nascença e as moléstias indefiníveis constituem transitórios resultados dos prejuízos que, individualmente, causamos à corrente harmoniosa da evolução.


A dor é o preço sagrado de nossa redenção.


O amor equilibra, a dor restaura. É por isso que ouvimos muitas vezes: - Nunca teria acreditado em Deus se não houvesse sofrido.
Feliz daquele que abençoa as dores que lhe ferem o espírito e estraçalham o coração. Essas amarguras atrozes o obrigam a calar, para que a verdade lhe fale à consciência.


Ninguém passa ileso nos caminhos do mundo. As pedras da incompreensão e da dor, no âmbito comum da existência carnal, chovem sobre todos. A lei das provas é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos.


Um guia espiritual pode ser um bom amigo, mas nunca poderá desempenhar os nossos deveres próprios, nem nos arrancar das provas e das experiências imprescindíveis à nossa iluminação.

 


Não basta sofrer simplesmente para ascender à glória espiritual. Indispensável é saber sofrer, extraindo as bênçãos de luz que a dor oferece ao coração sequioso de paz. (Jávier Godinho escreve às quartas-feiras neste espaço).

 

 

Fonte: Diário da Manhã

 

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